14 de fevereiro de 2011

Gueixa..




Muito se fala e se discute, principalmente no ocidente, sobre a figura e o papel da gueixa na sociedade japonesa. Na prática, poucos ocidentais, e mesmo japoneses, têm efetivamente contato com uma gueixa. Em público, elas só aparecem em poucas ocasiões, como no Jidai Matsuri (Festival das Eras), e na temporada de danças tradicionais Kamogawa Odori (Danças do Rio Kamo) que ocorrem em outubro, em Kyoto. Fora tais ocasiões, alguns sortudos turistas conseguem vê-las andando pelas ruas, nas raras ocasiões em que elas saem para ter aulas de dança, shamisen (cítara de três cordas tradicional) ou ikebana (arranjo floral), ou a caminho de um restaurante para entreter algum empresário ansioso em impressionar seus convidados. Ser servido ou entretido por uma gueixa, mesmo entre os japoneses, é privilégio de poucos.
Tocar, cantar, dançar e contar histórias para entreter os comensais num banquete. Essa era a principal atividade exercida pelas gueixas. Sentar-se à mesa e fazer companhia para os homens era algo que só as prostitutas faziam - mesmo porque elas queriam garantir que seus clientes quisessem sua companhia após o jantar. Mas aos poucos, os próprios clientes passaram a pedir que as gueixas também se sentassem à mesa. Educadas e cultas, as gueixas tornavam a conversação mais agradável e o tempo fluía mais rápido. Com as gueixas, os clientes conseguiam um tipo de relacionamento que não conseguiam ter com suas esposas, ou mesmo com as prostitutas. E nem sempre os homens que íam aos banquetes queriam fazer sexo depois de comer. Percebendo que muitos queriam apenas distrair-se, ou quando muito flertar, as gueixas descobriram seu público.
Para formar clientela própria, as gueixas passaram a evitar os bordéis e concentraram suas atividades em restaurantes e casas de chá, ou abriam suas próprias casas de chá. Por volta de 1840, uma gueixa chamada Haizen decidiu aprender um pequeno ofício que era executado até então somente por homens: servir saquê à mesa. Haizen passou fazer o mesmo, bem como fazer companhia à mesa aos convivas. Ela rapidamente tornou-se a gueixa mais requisitada de Kyoto e todas passaram a fazer o mesmo. Desde então, as gueixas vêm desempenhando o papel de anfitriãs em banquetes, servindo bebidas e conversando com as pessoas, além de dançar, cantar, contar histórias e fazer jogos de salão.As gueixas tornaram-se símbolo de uma invejável independência, que as demais mulheres no Japão de então não tinham. A partir da Restauração Meiji elas passaram a desfrutar de prestígio, tendo contato com os políticos mais influentes e os empresários mais bem-sucedidos, e de um estilo de vida glamuroso. O que elas usavam virava moda e eram imitadas por outras mulheres - o que fez com que os quimonos continuassem sendo usados pelas mulheres por mais tempo que os homens, que rapidamente adotaram o vestuário ocidental.


Se ter um rico e influente japonês como danna("patrono", amante de uma gueixa) ou marido assegurava à gueixa uma vida de conforto e prestígio, há entre as gueixas a idéia de que unir-se a um estrangeiro dá no oposto, podendo até terminar em tragédia. Tal crença é baseada na vida de algumas gueixas, que tornaram-se famosas por suas tristes histórias. A mais conhecida é a de Okichi, gueixa designada pelo xogunato para servir Townsend Harris, primeiro diplomata americano enviado ao Japão em 1856. Aparentemente ocorreu que Harris levou Okichi para sua casa em Shimoda, e com isso a gueixa entendeu que Harris a assumira como esposa, conforme os costumes japoneses da época. Harris, entretanto, sendo ocidental, sempre considerou Okichi uma mera cortesã, e mesmo tendo vivido anos com ela, sequer a mencionou em seus diários. Em 1862, Harris demitiu-se de seu posto e voltou para os Estados Unidos, abandonando Okichi, que cometeu suicídio. Até hoje, as gueixas de Shimoda prestam homenagem a Okichi, visitando seu túmulo. A história de Harris e Okichi inspirou Puccini a criar a ópera "Madame Butterfly", e teve uma versão romanceada numa produção de Hollywood em 1958, "O Bárbaro e a Gueixa", com John Wayne no papel de Harris.


Gueixas podem se casar, mas ao se casar deixam de ser gueixas. É comum elas se casarem com filhos ou netos de seus clientes - os próprios clientes normalmente se propõem a arranjar tais uniões. Mas via de regra, o marido japonês prefere que sua esposa não trabalhe fora, dedicando-se exclusivamente ao lar. Para uma mulher criada para dançar, tocar música, e acostumada a um estilo de vida de festas e quimonos caros, o papel de esposa confinada em casa é difícil de assimilar. Por isso, ao invés do casamento, muitas gueixas preferem permanecer solteiras e viver na okiya, dedicando-se ao karyukai até a morte. Ou, com sorte, arranjar um bom e rico danna.
Danna em japonês significa "patrono", mas no meio das gueixas designa um cliente que decide assumir uma gueixa como amante exclusiva. Normalmente os clientes de gueixas costumam ser bem mais velhos que elas - na meia-idade ou já na terceira idade, pois é em tal faixa etária que os homens alcançam o sucesso pessoal e financeiro. Quando um deles quer que uma determinada gueixa seja sua amante, ele deve negociar isso com a okaasan. Além de uma quantia a título de compensação à okiya pela educação e hospedagem da gueixa (algo que envolve algumas dezenas de milhares de dólares), a okaasan faz algumas exigências pela gueixa, para garantir que ela tenha um padrão de vida condizente com o que está acostumada, como uma casa ou apartamento próprio e uma mesada. Se o danna concordar com as exigências, e a gueixa aceitá-lo e estiver satisfeita com as condições, a gueixa torna-se independente. Mamika, famosa e refinada gueixa de Gion nos anos 90, revelou em entrevista para um documentário da tevê norte-americana que além de um confortável apartamento em Kyoto e uma mesada de 8 mil dólares, seu danna ainda lhe deu um título de sócia de um exclusivo clube de golfe e permitiu que ela continuasse atuando como gueixa. Mas quem é o seu danna, ela não revelou e nem deu pistas.


Ter um danna é o ideal de uma gueixa. Sendo amante, o danna não irá morar permanentemente com ela, mas irá visitá-la de tempos em tempos, quando então ela se dedicará totalmente a ele. E se ele concordar, quando ele não estiver ela continuará a trabalhar como gueixa. Em tais casos, a gueixa costuma trabalhar em colaboração com outras gueixas de sua casa de origem apresentando-se em jantares, com a diferença de que ela é quem fará sua própria agenda e escolherá os clientes - algo que antes era feito pela okaasan. Manter segredo sobre seu danna e fidelidade a ele são considerados deveres da gueixa. Se ela faltar com tais deveres, a comunidade a isolará, o que tornará impossível que ela continue trabalhando como gueixa. Há, obviamente, muitas vantagens em ter um danna, mas o lado obscuro disso é que a gueixa pode ficar para sempre presa a alguém que não ama.




Desde o fim da 2ª Guerra, o Japão foi reconstruído à imagem dos Estados Unidos. Tal influência propiciou rápido crescimento econômico e mudou de súbito valores e hábitos na sociedade japonesa. Em curto período, as mulheres passaram a estudar mais e a desenvolver carreiras que antes não lhes eram permitidas nos negócios e na política. Antes da guerra, na sociedade japonesa as mulheres eram subordinadas aos homens e viviam quase sempre em grupos e ambientes separados, nas escolas, no trabalho, no dia-a-dia. Parte do fascínio da gueixa estava no fato delas serem as poucas mulheres com quem homens podiam se relacionar em nível de parceria. Hoje, com oportunidades mais justas, homens e mulheres disputam os mesmos espaços e cargos, e procuram mais a parceria que a subordinação. Tais fatores, embora positivos, reduziram o apelo que a gueixa tinha.


Obs:A make revela: Ela passa o batom vermelho apenas no lábio inferior. Isso é sinal de que ela é uma aprendiz.
Antes de se transformar em uma aprendiz, a moça deixa seu cabelo ficar bem longo. Com isso, ela pode fazer os penteados elaborados de umamaiko. Ela usa pelo menos cinco estilos diferentes, cada um significando um diferente nível como aprendiz. Uma maiko iniciante usa um penteado chamado wareshinobu, com duas fitas vermelhas que indicam sua inocência. Uma maiko adulta usa um penteado chamado ofuku. Essa mudança era determinada pela mizu-age ou pela primeira experiência sexual da maiko. Agora indica apenas a passagem dos anos. A mudança ocorre quando a aprendiz faz 18 anos ou completa três anos de trabalho.
Semanalmente, a aprendiz de gueixa gasta horas com o cabelereiro para manter seu penteado. Quando vão dormir, recostam a cabeça em travesseiros especiais com uma cavidade no meio para que os penteados não se desfaçam.
Quando uma maiko torna-se uma gueixa, ela troca seu colarinho vermelho pelo branco e muda seu kimono de maiko para o de gueixa.
O kimono de uma gueixa é mais simples e mais fácil de lidar. Esse kimono tem mangas mais curtas e não é necessário que se use tamancos para evitar que arraste pelo chão. Uma gueixa calça zori, que são como sandálias havaianas, e um obi mais curto amarrado em um nó mais simples. Depois de trabalhar por vários anos, uma gueixa pode escolher usar uma maquiagem mais leve, em um "estilo mais ocidental", ao invés da maquiagem tradicional e pesada que usava no início de sua carreira. Uma gueixa usa variações do penteado shimada e perucas ao invés de arrumar seu próprio cabelo.


Um dos filmes mais lindos que aasisti é justamente "Memórias de uma Gueixa" é deslumbrante o filme,recomendo..
Enfim é muita história para contar então dei uma resumida senão ia ficar muuuuito longo..
Gostou então deixe sua opinião..bjinhos


Fonte: www.culturajaponesa.com.br 
 hhttp://pessoas.hsw.uol.com.br
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8 comentários:

  1. Hummm um pouco de história por aqui..
    eu já usei um quimono masculino, tenho foto ja ate postei no blog!!

    hehehe... beijos amore

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  2. A URL do meu blog mudou, viu????
    Agora é: http://bytanianeves.blogspot.com

    Tatazinha

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  3. Interessante... Deu vontade de viajar ao oriente pra TENTAR conhecer uma delas!

    bjo

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  4. Muito bom o poste interessante e informativo.
    parabens

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  5. é fascinante as gueixas são mulheres que deveriam
    ganhar ser homenageadas sempre no japão são figuras
    exemplares mulheres ideais mulheres que todo os homens gostariam ter!

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    1. sempre recebemos homenagens quando somos as serviçais sorridentes que as culturas criam para sermos....a sua postagem deixa isso bem claro: mulheres ideais que todod homem gostaria de ter.E quando exigimos o minimo que seja de vcs homens,nosa,o mundo vem á baixo.O lance é sermos escravas voluntárias e alegres,sendo nossa opresão glamurizada como acontece com as gueixas.

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  6. Adoro as GEISHAS minha proxima festa a fantasia estarei vestida de geisha!

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  7. Realmente,vc ser ensinada desde pequena a garadar homens bem mais velhos que vc ,sendo que para vc ser independente precisa ser amante de um deles,sem ao menos tomar parte nas "negociações",é algo a ser glorificados por nós mulheres! Queria ver se alguma das garotas que acharam isso lindo gostari de ver seu marido sendo patrono de gueixa! Machismo japonês é "cultura",é lindo....nem as próprias mulheres japonêsas estão caindo nessa mais!

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Obs: não coloque palavrão nessa merda! Obrigado.